O Assoalho pélvico hipertônico

O tônus muscular
é definido como o estado parcial de contração de  um  músculo em repouso. A função desta contração fisiológica é manter a postura e preparar o músculo para entrar em atividade.

O tônus é proveniente da estimulação de fibras nervosas que controlam a tensão elástica (ligeira contração) do músculo.  O aumento da tensão muscular é chamado de hipertonia (ocorre quando há uma hiperestimulação nervosa, por exemplo: quando a pessoa está tensa emocionalmente, os músculos ficam mais tensos) enquanto a flacidez é chamado de hipotonia  (ocorre quando o nervo deste músculo é cortado, nos casos de lesão nervosa periférica).

Um assoalho pélvico hipertônico se desenvolve devido um efeito protetor a dor (como ocorre, por exemplo, nas inflamações da bexiga-cistites) ou pelo constante recrutamento dos músculos do assoalho pélvico para inibir uma vontade forte de querer urinar, chamada de urgência (muito comum em mulheres que retardam constantemente a vontade de urinar), levando o músculo a um estado de encurtamento em longo prazo. Um músculo muito encurtado diminui a sua capacidade de gerar força, comprometendo a capacidade de inibir a urgência em urinar  bem como  comprimir as vísceras e nervos causando obstruções (que clinicamente se manifestam como dificuldade em urinar, constipação, síndrome de urgência –freqüência) e dores.

O termo síndrome hipertônica do assoalho pélvico  refere-se as condições clínicas de uma musculatura do assoalho pélvico hipertônica ou espástica resultando na  diminuição na capacidade de isolar, contrair e relaxar este músculo. As manifestações clínicas incluem disfunções miccionais (dificuldade em iniciar a micção,  interrupção do jato de urina, urgência, perdas urinárias, dor para urinar, cistites de repetição  e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga), disfunções sexuais (dor ao ejacular, dor durante a penetração), dor no cóccix ou no períneo, dor súbita no reto, constipação. Vários fatores podem influenciar o surgimento desta síndrome  nos quais podemos incluir parto vaginal mal conduzido, infecções, estressores posturais, inflamação urinária ou sexual, micro ou macro traumas nos músculos do assoalho pélvico,  aderências cicatriciais ou traumas devido a intervenções cirúrgicas ou medo de intervenções nos genitais.

O tratamento de um assoalho pélvico hipertônico é multifatorial. Pontos dolorosos (pontos de gatilho) podem estar presentes e necessitam ser liberados através de digito pressão com ou sem injeção de anestésico. O alongamento também é uma forma apropriada de tratar os pontos de gatilho e as contraturas dos músculos do assoalho pélvico. A facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) pode ser utilizada para assistir o alongamento de um músculo do assoalho pélvico encurtado através da inibição nervosa melhorando a propriocepção do paciente que poderá ativamente alongar sua musculatura. È importante que o paciente seja alertado que o inicio do tratamento é doloroso, mas à medida que o músculo vai relaxando, o desconforto desaparece.

 

 

Weiss

 


Digitopressão e alongamento dos músculos do assoalho pélvico

 

Outras formas de tratamento incluem aquecimento local dos músculos superficiais do períneo, redução da dor através de estímulos elétricos de baixa voltagem (estimulação nervosa antálgica), massagem e treino de relaxamento com biofeedback.

A correção postural também deve fazer parte do esquema de tratamento. Alguns autores associaram a má postura e longos períodos na posição sentada  como fatores de risco  para o espasmo da musculatura do assoalho pélvico que aparece em reação a uma hiperflexão do cóccix enquanto sentado em posturas incorretas. Alterações na coluna em toda sua extensão podem comprometer a articulação sacro-ilíaca e os músculos nela inseridos. Estes músculos devido o alongamento ou encurtamento são impedidos de manterem o tônus de repouso e ficam propícios a hipertonia e formações de pontos de gatilho. 

 

 
 
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